
Oberland Arms OA-15 no calibre .300 ACC Blackout
Tanto o calibre como o fabricante da arma não serão conhecidos pela maioria. E mesmo a configuração da carabina, com base na célebre espingarda semiautomática AR-15 desenvolvida pela norte-americana Colt, também será novidade para muitos.
De origem alemã, a Oberland Arms é um dos mais reputados fabricantes deste tipo de armas, vocacionadas para uma utilização mais desportivas, mas que com este calibre – o “300 Blackout” – pode se tornar numa excelente opção para a caça ao javali de espera. Já vai ver porquê!
Em vários países da Europa existem competição de tiro dinâmico com arma longa, sendo bastante popular o uso de carabinas de plataforma AR-15. Como já referi, a empresa alemã Oberland Arms é uma das mais conceituadas (em todo o mundo) no fabrico deste tipo de armas, que recebem acabamentos ao nível de produções “Custom”, que recebem a atenção dos conhecimentos de técnicos especializados. Estas armas são ainda utilizadas em competições de tiro dinâmico a longa distância (200, 300, 400 metros), que consiste em atingir vários alvos com relativa precisão de tiro. Também aí as Oberland são uma referência.
Fiabilidade e precisão
Como já se percebeu, a fiabilidade do mecanismo que assegura a alimentação automática da câmara é a chave para uma arma competitiva e a precisão de tiro algo que permitirá obter melhores resultados.
Também na caça a fiabilidade e precisão de tiro é importante. Por isso, esta Oberland Arms OA-15 será uma excelente opção como carabina de caça, agradando particularmente aos adeptos das armas de visual mais desportivo.
A configuração de uma AR-15 é bastante peculiar, com o seu sistema de abertura que faz bascular o conjunto de cano e caixa de mecanismos, da coronha e grupo de gatilho (mecanismo de disparo) e carregador. Não sendo um especialista neste tipo de armas, confesso que fiquei impressionado com o elevado nível de acabamentos e tolerâncias entre os elementos mecânicos.
Este é um sistema bastante modular, que permite adotar diferentes configurações e que tem como base um mecanismo de fogo semiautomático que funciona com o aproveitamento de gases, sendo considerado um dos mais fiáveis do mercado. Por isso este tipo de arma é muito utilizado por caçadores na América do Norte, permitindo ainda um acesso fácil a todos os mecanismos para limpeza e a possibilidade de optar por configurações em material sintético e partes metálicas com revestimentos anticorrosão.
Pois é precisamente isso que encontramos na Oberland Arms OA-15; uma carabina com elevada qualidade de construção e de acabamentos.
Avaliação final
Tive oportunidade de testar a Oberland Arms OA-15 em calibre .300 ACC Blackout, sobre o qual deixo informação e opinião em destaque separado. Apesar da AO-15 ser diferente de uma arma de caça, facilmente ficamos familiarizados com o seu funcionamento e comandos. A coronha possui ajuste em comprimento através da ligação telescópica à carcaça da arma, bastando para isso pressionar a patilha própria para essa função. A carabina vem equipada com órgãos de mira (com alça diopter) rebatíveis, mas foi colocada na longa calha Picatinny que equipa de origem a arma uma mira telescópica Trijicon especificamente concebida para este equipamento.
Facilmente encontrei uma posição confortável para disparar da bancada e realizar a afinação da mira. O recuo, apesar de se tratar de um calibre “.30” é praticamente negligenciável.
O gatilho (neste modelo) é um elemento de dois tempos da especialista Geissele (fabricante de mecanismos de gatilho de elevada precisão). O controlo do disparo é total e facilmente “colamos” os impactos a 100 metros. Com a vantagem de praticamente não necessitarmos de tempo de recuperação para o próximo disparo devido ao baixo recuo e estabilidade da arma.
Se for adepto de armas com este tipo de configuração, a OA-15 neste calibre – .300 Blackout – poderá ser uma excelente carabina para a caça de espera; fácil de utilizar, prática (muito curta) e confortável de disparar, ao que se junta uma precisão de tiro de referência para uma semiautomática.
.300 ACC Blackout

Também conhecido por 300 BLK ou 7,62×35 mm; foi desenvolvido pela norte-americana Advanced Armament Corporation para ser utilizado na espingarda de assalto M4, uma variante de cano curto da M16 (por sua vez, uma variante da plataforma Colt AR-15). O objetivo foi ter um calibre de prestações similares ao 7,62×39 mm (da AK-47) utilizando os carregadores standard da M4. Por isso partiu-se da base do cartucho .223 Remington, alargado para alojar projéteis de calibre “30”. Provou-se a sua fiabilidade nas carabinas semiautomáticas e precisão em canos curtos, tendo ainda a vantagem de ser fácil de estabilizar a baixas velocidades e com uso de moderador de ruído.
O 300 BLK está atualmente disponível com uma vasta oferta de munições para tiro (FMJ, HP) e para caça, habitualmente entre os 125 e 220 grains (muni. subsónica).
A velocidade à boca do cano para os projéteis de 125 grains ronda os 675 m/s e uma energia ligeiramente superior aos 1.800 Joules, suficiente para assegurar penetração e o cobro limpo de um javali em espera.

FICHA TÉCNICA
Origem: Alemanha
Tipo: carabina semiautomática (gases)
Calibre ensaiado: .300 ACC Blackout
Comprimento do cano: n.d.
Outros calibres: .223 Rem., .308 Win.
Caixa da culatra: aço
Comprimento total: 80 cm
Órgãos de pontaria: sim (alça diopter)
Gatilho: 2 tempos (unidade Geissele)
Preço: aprox. 3.150 euros
Soldiers-Almada. Tel.: 218 822 846.
www.soldiers-almada.com
Texto e fotos: Pedro Vitorino